
Os estratos de gelo são provavelmente a proxy mais confiável de temperatura do ar sobre as regiões polares nos últimos 800 mil anos. Um deve se lembrar que geleiras não são nada mais do que neve acumulada. Essa neve foi precipitada ao longo de milhares de anos, cuja origem são os oceanos. Na água dos oceanos temos dois isótopos de oxigênio, que nos indicam se o clima estava quente ou frio na época em que aquela camada de neve caiu. O oxigênio é um bom indicador de temperatura devido a diferença de peso entre o O16 e o O18 (os dois isótopos presentes no oceano), normalmente em tempos frios o O16 evapora em abundancia, aumentando a concentração de O18 nos oceanos e diminuindo-a na neve e geleiras.
Portanto a concentração de O18 de certa profundidade em um estrato de gelo nos dirá a temperatura estimada da época. O mesmo vale para o hidrogênio: o deutério (δD), isótopo pesado do hidrogênio, se comporta da mesma maneira, e por isso alguns testemunhos da Antártica, como EPICA Dome C e Vostok, são apresentados em δD. Essa página cumpre o objetivo de deixar claro a seguinte concepção: O clima do passado, principalmente o do Holoceno, passou longe de ser "estável". Essa quebra de paradigma é necessária para enfrentar o uniformitarismo que recai sobre esse sistema estocástico.
Groenlândia




Antártica









