ABSTRACT
Partimos de 3 premissas para o texto a seguir:
1. 100% dos cientistas concordam: o clima muda, o homem tem influência no sistema climático, o efeito estufa existe, e o aumento das concentrações de CO2 na atmosfera amplifica o efeito.
2. Nem todos os cientistas concordam: o aumento da concentração de CO2 é um problema, o aumento das temperaturas é um problema, porém se forem agravantes de crises, a transição energética não é uma boa maneira de resolve-los.
3. Ninguém sabe ao certo a porcentagem exata dessa divisão de opiniões do ponto 2, visto que essa pesquisa não foi feita sobre uma amostra confiável.
Portanto no post de hoje vamos questionar a alternativa proposta para a resolução das possíveis consequências do aumento de dióxido de carbono na atmosfera, a transição para fontes de energias consideradas limpas, ou pior... "verdes".
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10.3 O choque de 2022 expõe a dependência estrutural de gás criada pela Energiewende
O salto vertical em 2021-2022 vem mecanicamente do gás natural russo, mas isso não isenta a Energiewende — pelo contrário, é a consequência direta dela. Solar e eólica são intermitentes por natureza física: à noite, sem vento, em dias nublados de inverno, simplesmente não geram. Toda a estrutura precisa, então, de um combustível-pivô capaz de ligar e desligar rápido para fechar o balanço — e na Alemanha esse pivô é o gás natural. Quanto mais solar e eólica entram no sistema, mais horas no ano dependem do gás para não apagar. E o preço de atacado europeu é determinado pelo combustível-marginal: quando o gás triplica, o atacado triplica, e a conta vai para o consumidor.
Em outras palavras: a Alemanha construiu um sistema elétrico cuja estabilidade está amarrada a um combustível fóssil importado. Esse arranjo é parte do desenho da Energiewende, não um acidente externo a ela. O choque de 2022 não é uma crise contra a transição renovável; é uma demonstração do que acontece quando a transição renovável encontra a realidade física de que solar e eólica não despacham sozinhas.
Sobre isso o Atomausstieg agrava: o desligamento nuclear retirou do sistema a única fonte despachável de baixa emissão e baixo custo marginal que a Alemanha tinha. Sem o nuclear, a fração de horas em que o gás é o combustível-marginal aumenta, e portanto a sensibilidade do atacado a choques de gás aumenta. O leitor pode escolher como atribuir as responsabilidades — quanto da exposição ao gás é "renovável intermitente" e quanto é "decisão de fechar o nuclear" — mas as duas decisões compõem o mesmo programa político e produzem, juntas, a vulnerabilidade visível no gráfico.
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