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“Em hora nenhuma eu falei que é um dogma. O mais legal hoje galera, é que qualquer um pode verificar os dados de artigos científicos… se fosse uma coisa dogmática você não teria os dados nem para encostar” [01:06:23]

A pergunta a se fazer é "por que?". O que obrigou os autores de estudos climáticos a anexarem seus dados e cálculos? Provavelmente Sacani não tomou conhecimento do motivo, então farei o favor de informar narrando uma história recente. Em 1998 um homem chamado Michael Mann, Professor de climatologia da Pensilvânia State University, membro da CRU (Climate Research Unit) e lead author do IPCC, publicou junto de Bradley e Hughes dois estudos que mudariam o mundo (ou pelo menos tentariam…) [15],[16]. MBH98 (Mann, Bradley, Hughes, 1998) argumentaram que as temperaturas atuais estavam aumentando de forma jamais vista nos últimos 1000 anos, e que "os anos 90 são provavelmente os mais quentes dos últimos 2 milênios"! Um achado incrível para a humanidade, e a prova significativa ("Smoking Gun") de que somos nós a causa do aquecimento acelerado. Porém algo incomum aconteceu, o artigo passou pela revisão dos pares da revista Nature, sem a necessidade de entrega dos dados brutos e cálculos da curva.

"Como assim? Isso é ridículo! Como eu posso ser o primeiro a te pedir isso? Você publicou isso na Nature e não exigiram os dados do seu gráfico?" Steve McIntyre, matemático e economista canadense, perguntava indignado á Michael Mann, depois de exigir os cálculos de MBH98… Steve havia moldado sua carreira dentro da indústria privada, e estava acostumado a receber todas as informações possíveis de clientes e parceiros, o que justificou o choque. Desde jovem era fissurado em matemática, terminou a competição nacional do ensino médio em primeiro lugar (Canadá,1965), realizou seu bacharelado em Ciências, e mestrado em Filosofia, Política e Economia em Oxford, além de receber um convite para realizar gratuitamente seu doutorado em Economia Aplicada no MIT, mas recusou. Uma de suas paixões viria a ser trabalhar em cima de erros estatísticos publicados por cientistas. Por atuar na indústria mineradora, já havia estudado geologia e paleoclimatologia, e achou no mínimo estranho o resultado de MBH98 (que parecia estatisticamente incorreto) estar presente em todos os jornais após sua publicação. Sem mais delongas, Steve enviara seu primeiro e-mail de muitos aos membros da faculdade de East Anglia, onde se encontra a CRU, exigindo os dados á membros cabeça do IPCC. Segue alguns dos pedidos feitos por Steve ao longo de três anos:

Dear Dr van Ommen,
Some time ago I inquired as to the availability of the data set which was used in the paper of Mann and Jones in 2003. Is this the same data as was used in Jones and co-workers in 1998 (in the journal The Holocene)? Do you plan to make available a public archive of this data? Otherwise, I would appreciate an email copy of the data. Thanks for your consideration.
Stephen McIntyre.

Dear Phil,
Tas van Ommen has referred me to you for the version of his data set that you used in the paper of Jones and co-workers in The Holocene in 1998, and I would appreciate a copy. I would also appreciate a copy of the Lenca data used in this study.
Regards,
Steve McIntyre

Dear Phil,
In keeping with the spirit of your suggestions to look at some of the other multiproxy temperature publications, I've been looking at Jones and co-workers paper of 1998. The methodology here is obviously more straightforward than for the Mann, Bradley, and Hughes paper of 1998. However, while I have been able to substantially emulate your calculations, I have been unable to do so exactly. The differences are larger in the early time periods. Since I have been unable to replicate your results exactly based on available materials, I would appreciate a copy of the actual data set used in the Jones and co-workers paper of 1998 as well as the computer programs used in these calculations. There is an interesting article on replication of results by independent scientists by … some distinguished economists discussing the issue of replication in applied economics and referring favorably to our attempts to replicate results in respect to the paper of Mann, Bradley, and Hughes from 1998.
Regards, Steve McIntyre

Dear Dr Santer,
Could you please provide me either with the monthly model data … used for the statistical analysis in the Santer and co-workers 2008 paper, or a link to a website containing the data. I understand that your version has been collated from the Program for Climate Model Diagnosis and Intercomparison; my interest is in a file of the data as you used it (I presume that the monthly data used for statistics is about 1–2 megabytes). Thank you for your attention, Steve McIntyre

Acho deplorável que aqueles que se dizem cientistas mostram resistência á entrega de sua metodologia. É claro, os resultados de MBH98 e 99 estavam incorretos. Depois de adquirir parte dos dados, Steve entrou em contato com o economista ambiental Ross McKitrick, para denunciar algumas falhas estatísticas que havia encontrado. Steve tomou conhecimento de McKitrick pois foi um dos poucos economistas que criticou o Protocolo de Kyoto nos jornais, cuja origem do tratado internacional foi incentivada pelos resultados de modelos computacionais, e posteriormente assegurado pelos resultados forjados de Michael Mann. O mais risível além da resistência dos membros da CRU, foram as respostas que deram aos pedidos dos dados, não apenas exigidos por Steve, mas por diversos pesquisadores. Segue um exemplo de resposta, escrita por Phill Jones (diretor da CRU no Reino Unido) em seu e-mail á Warwick Hughes:

I should warn you that some data we have we are not supposed top (sic) pass on to others. We can pass on the gridded data - which we do. Even if WMO agrees, I will still not pass on the data. We have 25 or so years invested in the work. Why should I make the data available to you, when your aim is to try and find something wrong with it? There is Intellectual Property Rights to consider. You can get similar data from GHCN at NCDC. Australia isn't restricted there.
Phill Jones

Traduzindo parte do trecho "Nós temos 25 anos investidos no trabalho. Por que eu deveria liberar os dados pra você, se seu objetivo é achar algo de errado com eles?"

Phill Jones se autodenomina cientista, ao mesmo tempo que rejeita o Método Científico, quando recusa testes de falseabilidade. Ciente de que há erros no trabalho, prefere ignorar os pedidos de seus colegas. Leis foram aprovadas ao redor do mundo com base nesses resultados omitidos, sem a mínima proatividade de dar luz ao público, limitando a produção e consumo de países desenvolvidos e subdesenvolvidos, inclusive o Brasil. Isso não é ciência, é ideologia.

Um padrão recorrente na história da interação entre política e ciência, e muito bem resumido por Richard Feynman em uma frase "Prefiro ter perguntas que não podem ser respondidas do que respostas que não podem ser questionadas".

Após muita luta (judicial inclusive), Steve McIntyre conseguiu os dados brutos utilizados em MBH98 (porém não adquiriu os cálculos e códigos), e junto de Ross McKitrick publicou o estudo que acabaria com os resultados de Mann [17]. Antes de olhar para as conclusões do estudo, devo esclarecer como eu tenho os e-mails anteriormente citados. Em novembro de 2009 um hacker anônimo, apelidado de FOIA (Freedom Of Information Act), invadiu os computadores da CRU [18], capturando (ou roubando, escolha o jargão que quiser) 200.000 e-mails de membros chave do IPCC, por exemplo Michael Mann, Tom Wigley, Phill Jones, Keith Briffa, etc. Apenas 1.000 e-mails haviam sido liberados ao publico naquele final de ano. Os nomes mencionados confirmaram a autoria, porém disseram que "foram tirados de contexto". Novamente em 2011 FOIA soltou mais 4.000 e-mails firmando o contexto… Caso queiram ler os vazamentos, recomendo o documento "Climategate-emails" escrito por John Costella, físico teórico da Lavoisier Group [19]. Mas se quiserem os arquivos originais de FOIA, tenho a versão de 2011, só pedir em meu email.

O problema é que ficamos 20 anos a mercê de acadêmicos que estavam: Manipulando o processo de revisão por pares (caso que justifica o estudo passar pela revisão da Nature sem necessidade de entrega dos cálculos), ameaçando e demitindo editores de revistas científicas, escondendo dados que não corroboravam com a narrativa imposta, utilizando truques estatísticos para manipularem a curva, planejando como tomariam a auditoria de revistas para bloquear publicações de céticos, entre outras atitudes covardes e dogmáticas, que posteriormente obrigariam os cientistas do clima a anexarem dados e códigos… Esse é o motivo de "qualquer um pode verificar os dados de artigos científicos…". É de encher o peito dos cientistas de orgulho não é mesmo? Porém McIntyre e McKitrick não sabiam disso até o vazamento dos dados, e corrigiram o trabalho de Mann apenas com a ciência mais exata que existe, a Matemática! (NOTA 2: FOIA vazou também os dados e cálculos das curvas, confirmando as suspeitas de diversos céticos contrários as afirmações de Mann). Segue um breve resumo das conclusões de McIntyre e McKitrick sobre MBH98, seguido de algumas evidências geográficas que derrubam as conclusões de MBH99:

Resultado de MBH98 [15 ibid]:

Resultado de MBH98
Imagem 7

Correções de McIntyre e McKitrick [17 ibid]:

Correções de McIntyre e McKitrick
Imagem 8

   O gráfico de Mann 98 (Imagem 7) é uma reconstrução paleoclimática do hemisfério norte que utiliza técnicas comuns em econometria, por exemplo análises de componentes principais (PCA), sobre isótopos de anéis de árvores. Os dois economistas, ao replicarem os resultados, descobrem que Mann cometeu uma série de erros, incluindo:

(a) truncamento injustificado de 3 séries;
(b) cópia de valores de 1980 de uma série para outras séries, resultando em valores incorretos em pelo menos 13 séries;
(c) deslocamento de 18 séries para um ano antes do que aparentemente se pretendia;
(d) extrapolações ou interpolações injustificadas para cobrir entradas ausentes em 19 séries;
(e) erros de localização geográfica e falta de identificadores de local;
(f) uso inconsistente de dados de temperatura sazonais onde dados anuais estão disponíveis;
(g) dados obsoletos em pelo menos 24 séries, alguns dos quais já poderiam estar obsoletos na época dos cálculos do MBH98;
(h) listagem de proxies (indicadores indiretos) não utilizados;
(i) cálculo incorreto de todos os 28 componentes principais de anéis de árvores.

       No estudo de 2003 os economistas destrincham os itens apontados, e demonstram que o resultado de Mann foi decidido antes mesmo de iniciarem a pesquisa, fato comprovado pela troca de e-mails vazados entre Mann, Keith Briffa e Phill Jones [20]. A imagem 8 é a correção realizada Por McIntyre e Mckitrick utilizando a PCA de forma correta. Esse episódio nos mostra que a área acadêmica climática já foi extremamente dogmática, e é preciso relembrar periodicamente esse tipo de corrupção, principalmente porque os responsáveis não foram penalizados. Steve continua a publicar correções estatísticas de estudos climáticos em seu blog [21].

      O fim dessa história infelizmente é triste. Além de reconstruir uma falsa temperatura desde 1400, Mann puxou a escala de tempo até o início do segundo milênio. Mesmo sem os dados e cálculos que geraram os resultados dos estudos, a Organização Meteorológica Mundial (WMO), o IPCC, e diversos governos nacionais continuaram a divulgar o famoso "Taco de Hóquei" (Imagem 10) em campanha para a transição energética e mitigação das emissões de carbono. Comprova-se que a academia foi tomada por políticos assim que uma questão científica foi declarada uma crise existencial, seguido de quantias de dólares exorbitantes direcionadas para a resolução do "problema", junto do número crescente de políticas nacionais [22]. Hubert H Lamb, fundador da própria CRU, se revira em seu túmulo diante da conclusão de seus posteriores, pois após décadas de investigação climatográfica, conclui que entre os anos 900 e 1300 o globo estava pelo menos 2°C mais quente do que o século XX [23]

     Lamb não dependia de reconstruções paleoclimáticas e truques estatísticos, a dendrocronologia (estudo dos anéis de árvore) servia como material suplementar, e desde 1960 apontava imprecisões na técnica. É válido lembrar que dependendo da árvore, anéis não são bons termômetros históricos, pois diversos fatores influenciam em seu crescimento além da temperatura, e aparentam demonstrar resultados mais precisos quando relacionados á precipitação. Mann ignorou todos os trabalhos feitos anteriormente, declarou as árvores como proxies de temperatura, e afirmou que o clima era estável até 1950, antes de emitirmos dióxido de carbono. Conclusões completamente discordantes das evidências arqueológicas e documentais, que tem definitivamente mais peso do que a análise de isótopos. A boa notícia é que você não precisa saber de clima ou radiocarbono para perceber que o gráfico de Mann (Imagem 10) não representa temperatura, você só precisa ser bom de historia. Mirando entre 50 e 70 graus de latitude norte, verificamos a temperatura do Hemisfério via algumas evidências arqueológicas e geográficas. É valido ressaltar que essa área é sensível a mudanças bruscas de temperatura, pois se situa na região de transição entre os trópicos e os polos, onde massas de ar quente e frio avançam e recuam constantemente. A partir de várias evidências, temos certeza de que:

Lamb - Climate, History and the Modern World
Imagem 9 [23 ibid]. Fig.103 pag.271 (Hubert H. Lamb)
Michael Mann - O Taco de Hóquei
Imagem 10 [16 ibid]. (Michael Mann — O Taco de Hóquei)
  • Os vikings viveram na Groelândia entre os anos 950 DC - 1347 DC, criaram vacas, e plantaram culturas. Atividades agrícolas atualmente não são possíveis na região [23 ibid, pag.156].

  • A linha marginal agrícola da Europa, entre 900 DC e 1300 DC era em média 500 km acima da margem atual, incluindo a produção de vinhedos ao norte de Yorkshire (UK), Mar Báltico (Alemanha), Prússia e Escandinávia.

  • Aldeias agrícolas extensas foram formadas por nativos ao norte dos Estados Unidos, em Iowa, por volta de 1000 DC, e após 200 anos foram abandonadas. Hoje os sítios arqueológicos se encontram em locais que o plantio não se sustenta.

  • Há 1000 anos atrás, árvores cresciam no Canadá onde hoje há geleiras (Ilha Ellesmere), e pinheiros atingiam estados maduros a 100 km norte da linha limite atual (Ennedai Lake) [24. Fig.10.1 pag. 298].

      A referência de n°24 é o livro da professora Jean Grove, autora da melhor obra sobre a Pequena Era do Gelo, outro evento omitido por Mann no gráfico, visto que entre os anos 1500 e 1800, vimos os tempos mais frios do último milênio. Para mais evidências do Período Medieval Quente, consultar CO2science [25].

“Como eu falei, eu não sou o cara do alarmismo climático, mas eu entendo muito bem de clima, o clima é um sistema matematicamente caótico, e é daí que vem a grande dificuldade das pessoas entenderem sobre clima…” [01:06:53]

Nesse caso, eu diria que concordo com parte da afirmação de Sacani. O alarmismo gera medo, e o medo cega a razão quando mais precisamos dela. Utilizado contra a população comum em diversos momentos, o alarmismo guarda em sua essência o anseio por emoção e imediatismo. O professor Timothy Ball revela de forma cômica que o objetivo é "te fazer tremer tanto, que seu dinheiro sai voando do seu bolso e vai parar direto no bolso dos alarmistas". Revisitemos o antigo Egito e a coleta do censo: a quantidade de grãos a ser paga variava em função do nível do Rio Nilo, medido pelo instrumento nilômetro. Se a marca de 16 Nós fosse atingida, os impostos seriam cobrados, caso contrário os camponeses sairiam isentos. A mesma manipulação de dados da sessão anterior reflete a atitude dos astrônomos da época, ao manipularem as marcas atingidas visando a maior coleta de impostos. Todos participavam do esquema, desde os administradores do instrumento até os guardas que batiam de porta em porta. Em paralelo, durante tempos de crise, membros da realeza gritavam e suplicavam em público, clamando piedade aos deuses e acusando inimigos políticos de perda do Baraka (benção divina), para justificar a seca ou a enchente. Como podem ver pela imagem 12, a única coisa que o clima do Egito não era, é estável, porém a nossa percepção é muito breve, vivíamos pouco, e qualquer mudança de grande magnitude abalava os comuns. De bom grado, os camponeses contribuíam com quantias adicionais além das forjadas, acreditando que seus esforços tornariam os céus e os mares mais calmos.

Nível mínimo do Rio Nilo
Imagem 12 [26] — Nível mínimo do Rio Nilo


Porém um episódio alarmista recente e brutal, além das bruxas de Salem, ocorreu no século 19, entre as tribos Xhosa da África. É válido lembrar que o movimento de mitigação dos gases estufa envolve também o metano, suportado pela afirmação de que o potencial estufa do mesmo é maior do que o potencial do CO2, o que é de fato verdade, porém aqui falta aritmética. Há tão pouco metano na atmosfera que seu efeito é inexistente, e se considerarmos o alvo que visam eliminar (vacas pecuárias) a porcentagem de contribuição é ainda menor. A escolha da pecuária em específico deixa claro que o alvo foi selecionado a dedo, pois se colocarmos em conta a quantidade de vacas consideradas sagradas na índia, somado ao aumento da população de búfalos e guizões selvagens, além das emissões naturais de pântanos e outras fontes, a parte advinda da produção de carne e leite é cerca de 15% (chutando alto). Ignorando completamente o impacto no preço alimentício, políticas de abate de gado são discutidas na Irlanda, Holanda, Dinamarca e Nova Zelândia. O corte na produção eleva os preços, e essas quatro figuras são responsáveis por parte da exportação mundial desses alimentos, inclusive a Nova Zelândia, onde foi proposto um corte de 20% no rebanho nacional, mesmo que uma fração significativa das exportações vá para países com grandes massas pobres, como África e China.

Nonkosi e Nongqawuse
Imagem11.
Nonkosi e Nongqawuse

Esse caso nos leva ao paralelo de Nongqawuse, a profetisa Xhosa que anunciou o retorno dos mortos e o massacre de seu povo, caso não matassem todos os gados presentes na região [27]. Com apenas 16 anos (novamente, mesma idade de Greta Thumberg), Nongqawuse e seu tio Mhlakaza, utilizando do alarmismo, convenceram a maioria do povo Xhosa a aderirem ao movimento. Como sempre, haviam os céticos, que se recusaram a participar da loucura e esconderam suas vacas do massacre. Porém de nada adiantou, esses sofreram ataques, tiveram suas propriedades invadidas e seus gados abatidos, foram considerados inimigos do povo por não se importarem com as crianças, além de responsabilizados pelo desastre que viria a acontecer. Mais de 300.000 cabeças de gado foram cortadas, e a consequência dessa história não foi o levante dos espíritos ou qualquer fantasia do além, e sim a fome que causou a morte de mais de 80.000 pessoas na região. O curioso é que Nongqawuse declarou mais de uma data para o fim do mundo, e sempre que a data chegava, ela adiava o evento… Isso te lembra algo? A profetisa também afirmou que caso todos os gados fossem mortos, haveriam riquezas na terra e vacas saudáveis voltariam (doenças bovinas eram comuns na época) e todo o povo Xhosa prosperaria novamente, expulsando os colonos de suas terras. Como esperado, nenhuma profecia se concretizou, a jovem foi presa e posteriormente exilada em segredo (visto que tinha boas relações com diversos líderes de tribos), pois seria linchada pelos sobreviventes de seu povo. Nongqawuse morreu de velhice tranquilamente em uma fazenda, arando terra... e cuidando de gados...

Agora, eu discordo de Sacani quando ele afirma que a grande dificuldade das pessoas de entender a matéria é por ser um sistema caótico. Qualquer tópico que trabalha com fluídos turbulentos apresenta sistemas caóticos, e isso significa única e exclusivamente que o estado futuro do sistema não é previsível. Eu acredito que a grande dificuldade do entendimento sobre clima se deve ao fato de ser um tema difícil, composto por várias disciplinas, e quando computado na teoria dos sistemas, se torna multivariável. Outro motivo é o ensino sobre o tema ainda na escola, onde professores focam mais no ensino das "mudanças climáticas" (hoje um sinônimo de aquecimento global antropogênico) ao invés de ensinar sobre o clima da Terra, em diferentes locais e períodos. Esse desvio resultou num equivoco que define clima e CO2 como iguais. Eu lembro do professor de geografia do sexto ano desenhando fábricas e vacas na lousa, afirmando que é 100% verídico, estamos aquecendo o planeta, e o que define o clima daqui 100 anos é o quanto de gasolina você usa, ou o quanto de carne você come. Não me recordo de nenhum dos meus professores lecionando sobre os ciclos de Milankovitch ou clima no período jurássico, ou até mesmo o motivo do Saara ser deserto e a Amazônia não. Essa dinâmica é necessária não só por ser a maneira correta de abordar o tema, mas para o desenvolvimento do pensamento crítico, resultando no levantamento de questões. Vamos retomar a estocástica na próxima fala, onde Sacani se contradiz.

Bibliografia

[15]. Michael E Mann, Raymond S Bradley, Malcolm K Hughes. Global-scale temperature patterns and climate forcing over the past six centuries. NATURE | VOL 392 | 23 APRIL 1998

[16]. Michael E Mann, Raymond S Bradley, Malcolm K Hughes. Northern hemisphere temperatures during the past millennium: Inferences, uncertainties, and limitations. GEOPHYSICAL RESEARCH LETTERS, VOL. 26, NO.6, PAGES 759-762, MARCH 15, 1999

[17]. Stephen McIntyre, Ross McKitrick. CORRECTIONS TO THE MANN et. al. (1998) PROXY DATA BASE AND NORTHERN HEMISPHERIC AVERAGE TEMPERATURE SERIES. ENERGY & ENVIRONMENT VOLUME 14 NUMBER 6 2003

[18]. https://www.csmonitor.com/USA/Politics/2009/1204/climategate-leaked-emails-push-scientists-toward-transparency

[19]. https://www.lavoisier.com.au/articles/greenhouse-science/climate-change/climategate-emails.pdf

[20]. email 0938018124 | email 0942777075 | Carta do FOIA junto de alguns trechos de emails: readme

[21]. https://climateaudit.org/

[22]. T. Townshend et al. How national legislation can help to solve climate change. | Nature Climate Change, Vol 03, may 2013.

[23]. Lamb, H.H. (1982) Climate, history, and the modern world. Methuen, New York, 387.

[24]. Grove, J.M. (1988) The little ice age. Methuen, New York, 498.

[25]. https://www.co2science.org/data/mwp/mwpp.php

[26]. Demetris Koutsoyiannis, National Technical University of Athens, Greece. Stochastics and its importance in studying climate

[27]. Peires, Jeffrey B. (1989). The Dead Will Arise: Nongqawuse and the Great Xhosa Cattle-Killing Movement of 1856.