”Os agricultores do Mato Grosso estavam desesperados... porque não choveu na hora que tinha que chover... ai não planta a soja na hora que tem que plantar... Por que isso acontece? Mudanças climáticas... O clima na Terra é um sistema caótico, uma mudança ocorre num lugar, a gente não sabe onde e quando será a consequência disso... É o efeito borboleta, pode ser que uma queimada no Mato Grosso, mudou chuva na Índia... Como que a gente vai resolver isso? Tem que estudar cara, tem que estudar...” [01:10:26]
Lamento Sacani, mas temo dizer nunca vamos resolver esse problema. Aqui vemos uma interpretação errónea da Teoria do Caos de Edward Lorenz (talvez o melhor meteorologista da história). A questão central da teoria é a eterna incerteza que temos quanto ao sistema climático, em outras palavras, se uma queimada no mato grosso afeta a chuva na india, nós nunca saberemos. A grande questão é: Por que? E parte da resposta está na lista dos sete problemas matemáticos do milênio. A Clay Mathematics Institute garante um prêmio de 1 milhão de dólares por problema, e a a Navier Stokes equation, a equação que dita a dinâmica dos fluidos, está nessa lista. Ou seja, a equação que descreve a turbulência, inclusive na atmosfera e oceano, não foi provada. Por isso é impossível acertarmos o clima-tempo com precisão daqui 15 dias, quem dirá 50 anos. Físicos consideram esse problema mais difícil de resolver do que problemas quânticos.
Um bom exemplo vem do pai da própria mecânica quântica, Werner Heisenberg. Ao ser capturado pelos aliados durante a segunda guerra mundial, foi proibido de trabalhar na sua área de expertise, pois fez parte da construção da bomba atômica dos Nacionais Socialistas. Como já havia publicado uma tese sobre a dinâmica dos fluidos, retomou seu trabalho na matéria, porém infelizmente não avançou muito no tópico, e dessa dificuldade surgiu uma piada conhecida: Uma vez certo aluno perguntou ao professor Heisenberg “Professor, dizem que se você foi um bom físico, ao falecer O Todo Poderoso lhe concederá direito a duas perguntas, quais perguntas você faria?”... Heisenberg depois de pensar um pouco, responde “Eu perguntaria a Ele, porquê da Relatividade Geral... e o porquê da Turbulência (Aspecto caótico da Navier Stokes)... E acho que ele só conseguiria responder a primeira pergunta...”
A teoria do Caos não afirma que uma borboleta batendo asas no Brasil gera um furacão no Texas, ou que uma queimada no Mato grosso gera chuva na índia. O Artigo de Lorenz [50] questiona se o bater de asas de uma borboleta tem influência no sistema climático, e se a resposta for positiva, o que será da previsão do tempo? Vamos assumir que a borboleta gere perturbações atmosféricas, o que acontece se ela não bater a asa? O furacão deixaria de ocorrer? Provavelmente não, pois furacões e suas causas mal tem relação com borboletas, o sistema que o provoca depende apenas da Terra em movimento, e do aquecimento desigual do globo em suas latitudes. Talvez o bater de asas mude o furacão de um dia para o outro, mas furacões tendem a ocorrer com ou sem borboletas. E a conclusão é ainda melhor, pois se realmente uma borboleta tem esse poder, quantas delas existem? Quantas estão batendo asas? E será que somos capazes de mapear e acompanhar todas? Acredito que não.

Lorenz escreve esse pequeno texto depois de sua publicação sobre Fluídos Não Periódicos [51]. Após ganhar um computador para suas pesquisas (do tamanho de um prédio), montou equações que simulam os processos convectivos na atmosfera. Essas equações utilizam a Navier Stokes, quebrando-a em integrais discretas e vendo como cada elemento da atmosfera (umidade, calor, etc) se comportavam ao longo do tempo. Depois dos resultados atingidos, Lorenz alterava pequenos detalhes no estado inicial das equações, mudando mínimos valores em cada variável, e rodava as contas novamente. Após certo tempo, o resultado final era completamente diferente do anterior. Essa é uma característica comum em qualquer sistema não linear, sejam três imãs posicionados próximos um dos outros, um riacho em movimento ou um pote com água fervente, porém no contexto atmosférico, deve-se ampliar esse sistema em escala global, o que gera um problema muito maior [52].
Essa é a origem do "efeito borboleta", pequenas mudanças causam grandes mudanças, não porque são significativas, mas devido a falta de informação que temos durante o estágio inicial das equações. Um exemplo, satélites nos permitem ver apenas o topo das nuvens, e só sabemos se está chovendo se há alguém observando em baixo da nuvem, além de que ninguém consegue ver as dinâmicas dentro das nuvens... Esse buraco é enorme, e enquanto não mapearmos todas as influências, nós não vamos prever a "hora certa da chuva". Sem um diagnóstico preciso, não é possível reger um prognóstico, por isso falta lógica em atribuir o aumento dos gases estufa ao atraso da precipitação.
E as conclusões de Lorenz garantem que as perguntas "O clima muda?" ou "O homem tem influência no clima" sejam irrelevantes, as respostas são sim e sim! Os humanos influenciam na composição atmosférica desde os primeiros hominídeos que atearam fogo nas savanas africanas, alterando a quantidade de aerosóis na atmosfera, e por consequência a refletividade da luz solar. Até hoje, aviões e navios emitem partículas que geram pequenas nuvens na atmosfera, porém o problema é simples, nós não conseguimos modelar esses artifícios muito bem, visto que não temos como saber como seria o quadro meteorológico, se nunca tivéssemos emitido tais partículas. A grande dúvida que fica é por que Sacani atribui os gases estufa ao atraso da precipitação? Qual a base física que o fez concluir que o aumento dos gases estufa desde o período industrial, teria influência nesse fenômeno?
”Em nenhum momento a gente fala que a Terra vai acabar por causa disso, O ser humano é que vai ficar prejudicado... Por que o ser humano hoje, precisa de comer, e para comer a gente precisa plantar, e pra plantar, ou chove na hora certa, no lugar certo, ou a gente ta ferrado” [01:12:07]
Essa foi a resposta de Sacani ao ponto colocado pelo do debatedor "Não necessariamente os gases estufa são ruins pro planeta, eles ajudam a manter uma temperatura ideal". De fato, se gases estufa não existissem, toda radiação emitida pela superfície escaparia para o Espaço; as noites seriam muito mais frias, resultando na ausência de vida na Terra, visto que o vapor de água é essencial para tal, mas o CO2 também cobre um papel extremamente importante. Portanto a resposta de Sérgio não fez sentido.
Sim, o ser humano precisa comer, e eu questiono: Um planeta mais quente, e com maiores concentrações de dióxido de carbono, não é perfeito para isso? Infelizmente o maior propagador da ideologia do aquecimento global antropogênico, o IPCC, em seus working groups 2 e 3 (responsáveis por analisar consequências e mitigação de gases estufa) escrevem apenas sobre os malefícios do calor. A atitude é análoga a um economista escrever um relatório custo benefício, e olhar apenas para os custos. Freeman Dyson, físico e matemático extremamente renomado (responsável pela hipótese da Esfera de Dyson e unificação da eletrodinâmica quântica), escreve sobre o viés dos termos de referência em estudos sobre o tema [53]:
Freeman Dyson
"To any unprejudiced person reading this account, the facts should be obvious: that the non-climatic effects of carbon dioxide as a sustainer of wildlife and crop plants are enormously beneficial, that the possibly harmful climatic effects of carbon dioxide have been greatly exaggerated, and that the benefits clearly outweigh the possible damage...
In the year 1978, the United States Department of Energy drew up a 'Comprehensive Plan for Carbon Dioxide Effects Research and Assessment', which fixed the agenda of official discussions of carbon dioxide for the next 37 years. I wrote in a memorandum protesting against the plan:
The direct effects of carbon dioxide increase on plant growth and interspecific competition receive little attention. The plan is drawn up as if climatic change were the only serious effect of carbon dioxide on human activities... In a comparison of the non-climatic with the climatic effects of carbon dioxide, the nonclimatic effects may be:
1. more certain,
2. more immediate,
3. easier to observe,
4. potentially at least as serious....Our research plan should address these issues directly, not as a mere side-line to climatic studies.
My protest received no attention and the Comprehensive Plan prevailed. As a result, the public perception of carbon dioxide has been dominated by the computer climate-model experts who designed the plan. The tribal group-thinking of that group of experts was amplified and reinforced by a supportive political bureaucracy."
Nessa sessão vamos comparar condições de calor e aumento de CO2, com o cenário de frio e falta de gás carbônico. Para alguns essa parte vai parecer extremamente contraditória, visto que os argumentos que vou apresentar são omitidos quando o assunto é aquecimento global antropogênico e industrialização. Deixo claro que a comparação entre calor e frio não é uma falsa dicotomia, pois os aquecimentistas afirmam que se não estivéssemos emitindo CO2, estaríamos entrando numa era glacial. É valido lembrar que o clima constante ou estático é incontrolável. Emitindo CO2 ou não, exige-se um imenso sistema retroativo para estabilizar a temperatura global, e se o estado de equilíbrio fosse atingido, seria a primeira vez em bilhões de anos. Portanto comparar o frio com o calor é a melhor maneira de levantar o questionamento: Será que o aquecimento do planeta é maléfico? E a suposta era glacial "natural" seria mais benéfica, apenas por ser natural?


Vamos verificar a proporção entre as fatalidades causadas por frio e calor. Independente do ano analisado, ou da região do planeta, concluímos que fatalidades causadas por frio são dez vezes maiores do que fatalidades causadas por calor [54], [55]. O Homo Sapiens é um animal tropical, nós nos adaptamos melhor a climas quentes, e não apenas aos extremos. Gasparrini et al. (2015) analisou mais de 74 milhões de mortes em 13 países e concluiu que 7,29% de todas as mortes estavam associadas ao frio, contra apenas 0,42% ao calor [56], uma proporção de 17 para 1 em quantidade. O mais surpreendente: a maior parte dessas mortes não ocorre durante ondas de frio extremo, mas sim em dias moderadamente frios no inverno. Zhao et al. (2021) confirmou o padrão em escala planetária: dos 9,4% de mortes atribuíveis a temperaturas anormais entre 2000 e 2019, 8,5% foram causadas pelo frio e apenas 0,91% pelo calor [57], aproximadamente 4,6 milhões de mortes anuais por frio contra 489 mil pelo calor.
O frio provoca vasoconstrição periférica, forçando o coração a bombear sangue contra maior resistência, o que eleva a pressão arterial e o risco de infarto e AVC, a cada 1°C de queda na temperatura, a mortalidade cardiovascular aumenta entre 1% e 2%. Além disso, o ar frio causa bronco constrição e suprime a resposta imunológica das vias aéreas, explicando por que infecções respiratórias como gripe e pneumonia são sazonais e predominantemente invernais. Hipotermia, a queda da temperatura corporal abaixo de 35°C, é uma emergência médica que mata silenciosamente idosos, sem-teto e populações em pobreza energética que não conseguem aquecer seus lares. Nos Estados Unidos, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) registrou que 63% das mortes relacionadas à temperatura entre 2006 e 2010 foram causadas pelo frio, contra 31% pelo calor [58].
Particularmente, prefiro um planeta que esteja esquentando do que esfriando.
Agora tratando do CO2, e o possível prejuízo que Sérgio menciona; O mito de extinção da raça humana surge há muito mais tempo do que imaginamos. Desde o antigo Egito, até gregos clássicos, tribos africanas, e as obras de Malthus, tais teses atravessam os diversos períodos históricos, moldando sua forma e complexidade, e permeiam o pânico do homem comum ao longo dos séculos. Aparentemente um resgate do Malthusianismo renasce das cinzas com Paul Ehrlich no meio do século XX, em seu livro The Population Bomb. Ehrlich apresenta proposições que chamaram a atenção do economista John Holdren (head da gestão Obama), que posteriormente publicaria junto de Ehrlich um dos livros mais impactantes da geopolítica internacional, Ecoscience. Essas duas obras carregam declarações absurdas, que estavam 100% incorretas, e expõem quais seriam as atitudes de Holdren ao lidar com crises populacionais hipotéticas:
Paul Ehrlich
"The battle to feed humanity is over. In the 1970s the world will undergo famines . . . [AND] hundreds of millions of people [including Americans] are going to starve to death." (1968) [59]
"Smog disasters" in 1973 might kill 200,000 people in New York and Los Angeles. (1969) [60]
"I would take even money that England will not exist in the year 2000." (1969) [60]
"Before 1985, mankind will enter a genuine age of scarcity . . . in which the accessible supplies of many key minerals will be facing depletion." (1976) [61]
John Holdren
"Indeed, it has been concluded that compulsory population-control laws, even including laws requiring compulsory abortion, could be sustained under the existing Constitution if the population crisis became sufficiently severe to endanger the society." [62]
Curiosamente, um economista chamado Julian Simon, propôs uma aposta a Erlich referente a sua afirmação "... the accessible supplies of many key minerals will be facing depletion.". Simon pediu para Ehrlich escolher quaisquer 5 matérias primas, e declarou que independente da escolha, em 10 anos haveria mais dessa matéria disponível, e a menores preços. Ehrlich deixou Holdren encarregado da escolha (escolheu 5 minerais, cobre, cromo, níquel, estanho, tungstênio). A aposta valeria de 1980 a 1990, e a quantia simbólica foram 1000 dólares. Se querem saber quem ganhou... pesquisem sobre, mas acho que vocês já sabem.
Porém a atribuição em escala geopolítica do Doomsday ao ser humano ocorre, se não me engano, no primeiro Earth Day (1970), depois de um acidente que despejou óleo no mar da Califórnia. Observado o grande sucesso do evento e a mobilização de grandes massas preocupadas com a natureza, Maurice Strong, burocrata e globalista canadense, arquiteta a conferência de Estocolmo, onde afirma "The Doomsday is inevitable, and developing of human societies are the cause of it" [63], futuramente na primeira Eco Rio 92, também organizada por Strong, o mesmo afirma que o mundo industrializado está enriquecendo, e que todos tem direito de desfrutar dos produtos gerados, MAS... o resultado será catastrófico [64]. Essas ideias são confirmadas por ele em entrevista com a jornalista investigativa Elaine Dewer em seu livro Cloak of Green [65]: "Isn't the only hope for the planet that industrialized nations collapse? Isn't our responsability to bring that about?".
O interessante é que Elaine não tinha o objetivo de expor nenhum burocrata ou ambientalista quando começou a escrever o livro, porém quanto maior era o contato com essas figuras, mais fundo era o buraco. Após a publicação, o professor Timothy Francis Ball pede a ela para reescrever uma segunda versão, a resposta de Elaine é clara "Não chegaria nem perto, recebi mensagens de ódio e ameaças de morte...". Strong foi um dos responsáveis pela criação do IPCC, ele utilizava de falsas ongs e movimentos ideológicos ambientalistas para vender um falso alarmismo. Ao final de sua vida fugiu para China, após ser procurado por fraude nos EUA, visto que era envolvido com o escândalo de corrupção da ONU "Petróleo por Alimentos". Tais ideias, desde Paul Ehrlich a Maurice Strong, chegam a primeira Reunião do Clube de Roma, onde declaram o CO2 como poluente, e a raça humana como inimiga do planeta:
Club of Rome — The First Global Revolution (1991)
"In searching for a common enemy against whom we can unite, we came up with the idea that pollution, the threat of global warming, water shortages, famine and the like, would fit the bill... All these dangers are caused by human intervention in natural processes, and it is only through changed attitudes and behaviour that they can be overcome. The real enemy then is humanity itself." [66]
Como todo e qualquer processo terrestre, o surgimento da raça humana é parte da natureza, porém a desnaturalização da mesma vem tomando espaço desde os eventos geopolíticos do século passado. Será mesmo que o CO2 é um poluente? E estamos degradando o planeta em níveis inimagináveis? Será que nos próximos 50 anos as promessas de extinção que declaram desde 1970 serão concretizadas? Será que dessa vez, os avisos desses burocratas, análogos às profecias Xhosa de Nongqawuse, serão verdadeiros?
Só para deixar claro, poluição não é um conceito científico, é um conceito linguístico, refere-se a algo que não deveria estar no local onde se encontra. Gasolina num tanque de combustível não é um poluente pois deveria estar ali, mas derramamento de óleo na água é um poluente. O CO2 é um gás natural, presente na atmosfera, ele deveria estar ali. O que nos resta é verificar se de 1970 para cá a Terra entrou em perigo, e a humanidade "ficou prejudicada" como diz Sacani, com o aumento da industrialização e emissões de combustíveis fósseis.


Comecemos pelo meio ambiente, trazendo uma "verdade inconveniente" que Al Gore deixou de fora em seu filme: A Terra está mais verde! Não um pouco mais verde, muito mais verde, e o CO2 é o culpado, mais especificamente nós somos, assumindo que a maioria das emissões de Carbono advém de nossas atividades (mas ninguém sabe ao certo, provavelmente os oceanos são a maior fonte emissora de CO2). E isso não deveria surpreender ninguém que olhe para o registro geológico. A vida vegetal terrestre surgiu no Ordoviciano e Siluriano, há mais de 400 milhões de anos, quando as concentrações atmosféricas de CO2 eram cerca de 10 a 15 vezes superiores às atuais. As primeiras grandes florestas que cobriram o planeta no Carbonífero, as mesmas que deram origem ao carvão mineral que hoje queimamos, se expandiram em uma atmosfera com CO2 extremamente elevado. Para a maior parte dos últimos 500 milhões de anos, a concentração de dióxido de carbono ficou entre 1000 e 7000 ppm (partes por milhão); os 420 ppm que temos hoje estão próximos do mínimo histórico para a vida vegetal. As plantas evoluíram para funcionar em um mundo rico em carbono, e seus mecanismos internos refletem isso.
Os vegetais absorvem CO2 através de poros microscópicos na superfície das folhas, chamados estômatos. Quanto maior a concentração de CO2 na atmosfera, menos estômatos a planta precisa manter abertos para suprir sua fotossíntese — e como cada estômato aberto também perde água por transpiração, a consequência é uma planta que cresce mais e gasta menos água. Kouwenberg et al. (2003), em estudo publicado no American Journal of Botany, demonstrou essa relação inversa ao analisar quatro espécies de coníferas norte-americanas — Tsuga heterophylla, Picea glauca, Picea mariana e Larix laricina. Utilizando agulhas de herbário e subfósseis que cobriam o aumento de CO2 de 290 para 370 ppm ao longo do último século, os pesquisadores encontraram uma redução significativa na frequência estomática: a Larix laricina, por exemplo, reduziu cerca de 8% de seus estômatos por milímetro a cada aumento de apenas 10 ppm de CO2 [69]. As plantas se adaptam em tempo real, tornando-se mais verdes e mais resistentes à seca, e fazem isso porque é exatamente assim que evoluíram para funcionar. Se a falta de chuva prejudica a plantação, o aumento de CO2 compensa, visto que o clima árido e seco não é um completo impeditivo quando as concentrações do gás estão elevadas.
O IPCC previu, em seus sumários para policymakers, o aumento da desertificação com o aquecimento do planeta, e por incrível que pareça o Saara está mais verde, pois há pouco vapor de água na região, e os vegetais CAM (Metabolismo Ácido das Crassuláceas) abrem estômatos apenas durante a noite para absorver CO2. Sabemos então que o crescimento vegetal é devido ao gás carbônico, pois os maiores aumentos de área verde se encontram no meio da florestas e bordas de deserto, onde fertilizantes nitrogenados não tem influência. Imagino que os globalistas mencionados, ao invocarem suas profecias, não imaginavam que haveria um aumento de 20% na área verde global. Nos últimos 40 anos dobramos a quantidade de CO2 emitida, o aquecimento previsto ocorreu (mesmo que em menor magnitude do que modelos projetaram), consumimos muito mais recursos do que antes, e mesmo assim nunca estivemos tão ricos historicamente. É desonesto afirmar que estamos degradando o planeta conforme nos desenvolvemos. O completo contrário ocorre, quanto mais industrializado se torna seu território, maior a área natural preservada.


Os países mais pobres são os que mais degradam o meio ambiente. Tomem como exemplo o Haiti e a República Dominicana (Imagem 46), lado a lado, enquanto o primeiro está cinza, o segundo está verde. E qual a diferença entre os dois? A República Dominicana é movida a base de petróleo, carvão, e gás natural, enquanto o Haiti, um país pobre e subdesenvolvido, utiliza de biocombustíveis para gerar energia, por exemplo a lenha. A presença de combustíveis fósseis reduz a necessidade de corte de árvores, enquanto o aumento de cidades aglomera a população em espaços menores, caso que reduz a área natural ocupada, e resulta no aumento da vegetação nativa. O mesmo ocorreu com os países europeus após o século XVIII, quando a geração de energia deixou de ser a base de lenha.
Vale notar que os locais mais pobres do globo possuem maior desmatamento pois o produto do mesmo é usado para aquecer, cozinhar, e iluminar quando possível. Consequentemente as maiores taxas de morte por doença pulmonar e mortalidade infantil (Imagem 48) se encontram nesses locais (África Subsariana, Haiti, Índia, etc.), visto que a comida é feita dentro de casa, e a toxina da lenha é letal. Os territórios africanos que começaram a utilizar gás natural para cozinhar tiveram uma redução imediata da área desmatada, de doenças pulmonares, e uma notável melhoria da qualidade de vida.
Os globalistas não conheciam o suficiente de transição demográfica, visto que quanto maior seu estágio de desenvolvimento, sua população para de crescer (Imagem 49), é simples, tanto que a maior deficiência econômica de países desenvolvidos são relacionados a previdência, há muitos idosos e poucos jovens, pois o interesse em procriar decresce. Enquanto a Grécia, Rússia, Japão e Itália se preocupam com a falta de trabalhadores para sustentar os aposentados, as mães africanas choram por um terço de suas crianças perdidas. Precisamos colocar na balança se o aquecimento do globo e suas possíveis consequências são mais importantes para nós e nossos inexistentes netos, do que as pessoas que sofrem hoje, por falta de energia barata e confiável, cuja queima de combustíveis fósseis poderia fazer uma diferença enorme na qualidade de vida da população.


Será que a área utilizada para o plantio também é afetada com a industrialização de um país? Sim, a área utilizada para a mesma quantidade produzida reduziu de forma tremenda. Ausubel, Wernick e Waggoner (2012) cunharam o termo "Peak Farmland", a tese de que a humanidade já atingiu, ou está prestes a atingir, o pico de uso de terras agrícolas [70]. Na Índia, entre 1960 e 2010, a população cresceu 2,5 vezes e a renda nacional 15 vezes, porém a área cultivada aumentou apenas 5%, poupando 65 milhões de hectares, uma área equivalente à França inteira. Na China, a população dobrou e a renda multiplicou-se por 45, mas a produtividade por hectare do milho quadruplicou, poupando 120 milhões de hectares, equivalente a duas Franças. Nos Estados Unidos, havia mais terra plantada com milho em 1925 do que em 2010, apesar de a produção ter crescido 17 vezes. Globalmente, para produzir a mesma quantidade de alimentos em 2009, os agricultores precisaram de apenas um terço da terra que seria necessária em 1961.
Parte desse milagre é tecnologia, mas não toda. Goklany (2015) demonstra que apenas a fertilização por CO2 já responde por 9 a 15% do aumento de produtividade agrícola desde a era pré-industrial. A base de dados do Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, compilando milhares de experimentos, mostra que para as 45 culturas que representam 95% da produção global, um aumento de 300 ppm de CO2 elevaria a produtividade em 34,6%. 51% do ganho de produtividade do algodão, 17% do trigo e 15% da soja são atribuídos ao aumento de CO2. Em termos monetários, a fertilização natural pelo CO2 vale aproximadamente 140 bilhões de dólares por ano em produção agrícola extra. Ou seja, nossos alimentos e produtos estão mais baratos pois supostamente o custo produtivo foi pago quando você acelerou seu Nissan Kicks pelas ruas da cidade. Para mais detalhes sobre a resposta de plantas, consultar também CO2science, página data/plant_growth. E a consequência ambiental? Sem essa fertilização, seria necessário converter 11 a 17% a mais de terras em plantações para produzir a mesma quantidade de alimento. Esse habitat não foi desmatado porque o CO2 fez as plantações existentes renderem mais.
Por isso a resposta de Sacani não faz sentido. Nem se pensava em prever o clima tempo até o século passado. Isso nos empediu a plantar? Os antigos sabiam a "hora certa" da chuva (se é que existe uma)? Claro que não! Na verdade não tinham a mínima ideia de quando choveria. Isso criou uma história agrícola brutal, repleta de fome e miséria, mas hoje temos muito mais noção do comportamento atmosférico, possuímos visão de cima, monitoramento oceânico, índices ENSO etc. Ainda estamos limitados pelo aspecto caótico do sistema, mas nós passamos mais de 5000 anos sem tais ferramentas, sob os mesmos aspectos, e chegamos até aqui. Não é o aumento de um fertilizante natural que vai prejudicar tudo o que construímos, visto que nossos produtos e tecnologias suprem a falta de chuva via irrigação e fertilizantes.


Bibliografia
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[50]. Lorenz, E. N. (1972). Predictability: Does the flap of a butterfly’s wings in Brazil set off a tornado in Texas?
[51]. LORENZ, E. N. Deterministic nonperiodic flow. Journal of the Atmospheric Sciences, v. 20, p. 130–141, 1963.
[52]. https://www.youtube.com/watch?v=fDek6cYijxI&pp=ygUYY2hhb3MgdGhlb3J5IHZlcml0YXNzaXVt
[53]. Goklany, I. M. (2015). Carbon Dioxide: The Good News. GWPF Report 18. The Global Warming Policy Foundation, London. Foreword by Freeman Dyson.
[54]. https://ourworldindata.org/grapher/deaths-temperature-gasparrini
[55]. https://ourworldindata.org/grapher/temp-deaths-zhao?country=~OWID_WRL
[56]. Gasparrini, A. et al. Mortality risk attributable to high and low ambient temperature: a multicountry observational study. The Lancet, 386(9991), 369–375 (2015).
[57]. Zhao, Q. et al. Global, regional, and national burden of mortality associated with non-optimal ambient temperatures from 2000 to 2019: a three-stage modelling study. The Lancet Planetary Health, 5(7), e415–e425 (2021).
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[67]. https://svs.gsfc.nasa.gov/12226
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[71]. Lamb, H. H. 1988. "The Weather of 1588 and the Spanish Armada." Weather 43 (11): 386–395.
