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Escolhi o pseudônimo O Herege em homenagem a Freeman Dyson, proeminente cientista do século XX que lutou pela aplicação justa da ciência ao longo de sua carreira: "The prevailing dogmas may be right, but they still need to be challenged".
As discussões presentes nesse espaço visam desafiar dogmas, inclusive os científicos, que não deixam de ser peremptórios por vestir um manto acadêmico.
1. A ciência não está livre de estupidez
O ápice da investigação científica é atingido após o levante de todas as questões, inclusive as que expõem a fragilidade dos próprios argumentos. Porém o ser humano carrega traços que dificultam o avanço do conhecimento via o método científico: o primeiro é o orgulho, poucos apreciam a revelação dos próprios erros, quem dirá exercer essa atividade voluntariamente; o segundo é o tribalismo, a necessidade de aceitação coletiva ao buscar conforto nos braços de um grupo, onde a criação de um Goldstein (1984, G.O.) é necessária para os tribais odiarem em conjunto. Essas características nos acompanham há muito tempo, e não pestanejam em assombrar a própria ciência, manifestando-se ironicamente através daqueles que deveriam ser os iconoclastas da geração.
Confia-se cegamente nas conclusões de especialistas devido ao sucesso da ciência. A vida do homem ordinário melhora em todos os aspectos a partir do século XIX, onde a aplicação do método científico é oficializada como um mecanismo de investigação dos fatos. O impacto positivo dessa aplicação sob a sociedade nos revela a possível sensibilidade a impactos negativos se o processo é corrompido. Mas nem toda doutrina foi fruto dos traços citados, grande parte era inevitável devido as limitações tecnológicas. George Washington foi vítima do que se pensava ser o tratamento ideal para infecção, a sangria (prática de retirar sangue do corpo do enfermo). O resultado foi a morte do primeiro presidente dos EUA, provavelmente de hemorragia. A tese de Hipócrates, chamada de Humores, havia sido apresentada há cerca de 1.000 anos antes do evento, e não houve contestação ao longo do milênio por falta de mecanismos de falseabilidade. Não era malícia, era simplesmente ignorância.

O problema torna-se preocupante quando os pesquisadores se atêm a uma hipótese após o teste de falseabilidade demonstra-la incorreta. Ainda na área da medicina, Ignaz Semmelweis foi vítima do tribalismo acadêmico ao apontar que esterilizar as mãos antes do parto era indispensável. Provou a partir de uma amostra significativa que o ato de lavar as mãos reduziu a morte de suas pacientes, e acertou a causa; o contato de estudantes de medicina com cadáveres causava febre puerperal nas grávidas via transmissão do que Ignaz chamou de "partículas cadavéricas". Sua amostra era perfeita, pois ele comparou duas clínicas lado a lado, uma com estudantes, e outra com parteiras. Ao introduzir a prática de lavar as mãos em solução de hipoclorito de cálcio, a mortalidade da Primeira Clínica despencou em cerca de meses.
E como devem imaginar, os médicos da época, preocupados com as mães que dariam à luz, ajudaram Semmelweis a investigar sua tese para chegarem ao bem maior...

Lamento meu caro leitor, mas se você realmente imaginou isso, deve ser mais ingênuo do que pensa. Ignaz foi rechaçado até sua morte, pois os médicos jamais poderiam aceitar que a vida de milhares de pacientes estavam em suas mãos, literalmente. Como seria possível evitar perdas ao exercer um ato que os indicassem impuros ou sujos? Sem o arcabouço teórico da microbiologia Semmelweis era incapaz de explicar o que eram aquelas partículas cadavéricas, e a ausência de mecanismo bastou para que a evidência empírica fosse descartada, mesmo que incrivelmente significativa.
2. Se não pode usar a lógica, xingue.

É de se esperar que na falta de evidência, o uso de jargões tome conta do debate. O resultado do questionamento de Ignaz foi a sua exclusão acadêmica, o rótulo de insanidade, e sua morte precoce no manicômio. Uma vida dura aguarda aqueles que questionam as doutrinas contemporâneas com lógica; Galileo, Giordano Bruno, Alfred Wegener, Max Planck, o próprio Albert Einstein, e até mesmo Sócrates. Esses são os Hereges de seus tempos.
O "Herege" do século XII se tornou o "Negacionista" do século XXI, com todas as conotações de "denier" que você possa imaginar. Aqueles que antes eram abominados pela igreja, a principal representante do conhecimento ao longo do último milênio, hoje são rejeitados pela instituição que assumiu o mesmo pedestal, a academia. Tal doutrina enquadra até mesmo ganhadores do Nobel como negacionistas, sem o mínimo esforço de questionarem a opinião dos mesmos.
Risivelmente, Anterior ao negacionismo científico, "Cético" era o rótulo utilizado ao início do século XXI para atacar os que questionavam os dogmas acadêmicos, porém se o significado das palavras ainda valem de algo, esse rótulo se demonstra inútil. O cético não é aquele que nega afirmações mesmo que hajam provas, é o indivíduo que não acredita em qualquer coisa, mas está disposto a discutir suas convicções caso haja evidência para tal. A ciência exige ceticismo, e jamais reconhece que as possibilidades de debate acabaram.
Logo o jargão transmutou-se em um ataque tribal, que visa lhe enquadrar no time inimigo, próximo do terraplanismo, antivax, e até mesmo negacionistas do holocausto, estratégia que se mostra eficiente pois não importa o quão válidos são seus questionamentos, suas palavras serão descartadas mesmo antes da primeira consideração.
Tendo em vista esse empecilho, três motivos me levaram a escolher o anônimato:

- 1. O mal hábito exercido por nossos ancestrais ainda prevalece: ir contra as conclusões asseguradas pela maioria aflora emoções, e prejudica os poucos que discordam.
- 2. Como um sábio homem uma vez disse "O argumento tem força intrínseca, ele não depende de truques ou armadilhas", e acrescento que não depende de quem você é, de onde estudou, ou onde nasceu.
- 3. Hoje o debate científico está poluído pelo "Cientismo", a utilização doutrinária da ciência ao reduzi-la a uma fonte de autoridade, e falácias populares, como o argumentum ad verecundiam (apelo à autoridade) e ad populum "A NASA, e todos os cientistas concordam com X, Y e Z,".
Se ninguém souber quem eu sou, talvez avaliem meus argumentos em sua mais pura forma.
3. incentivo ao Cientismo
O Cientismo demonstra sua intenção de forma clara, encerrar o questionamento ao causar medo aqueles que ousam desafiar. Os motivos para isso são inúmeros, e talvez o seu chute seja melhor do que o meu, mas eu diria que além dos dois traços já citados, um bom candidato que explica os esforços para manter essa roda girando é o dinheiro. John Clauser: "once they asked the bank robbers why do they rob banks, and the answer... Because thats where the money is". O fluxo financeiro de pesquisas científicas acaba por filtrar as publicações que se aproveitam da capilaridade dos investimentos. Quanto maior a declaração do problema, mais dinheiro entra, e revistas, universidades e acadêmicos lucram. Insistir numa hipótese repetidamente é a única arma que pesquisadores tem para continuar recebendo fundos.
O objetivo que antes era levantar questões se perde na pilha de estudos que visam fortificar constatações, caso que prejudica a publicação de céticos por falta de investimento, e favorece qualquer um que esteja disposto a manipular e distorcer fatos em troca de um pedaço do bolo. Se torna um incentivo para membros de áreas completamente distintas da hipótese receberem mais investimentos ao abordarem o tópico em questão, um bom exemplo recai sobre a Susan Hockfield, ex-presidente do MIT entre 2004 e 2012, que passava parte de seu tempo pensando como utilizar o dinheiro de pesquisas climáticas para ajudar o departamento de Música da universidade. Os efeitos colaterais da hiperinflação de fundos públicos direcionados a uma única causa gera estratégias que tem funcionado bem nos últimos 50 anos, e justifica a insistência quase religiosa daqueles que espalham falácias, evitando qualquer contato com argumentos científicos á margem do conhecimento, onde as discussões deveriam estar.
A ciência não depende se a maioria concorda com uma teoria, se os especialistas em uma área acreditam em algo, e se eles fazem parte da NASA, NOAA ou da Federal de São Carlos. O método científico é simples, e Richard Feynman o explica de forma clara:
"Now we are going to discuss how we would look for a new law. First, we guess it! Well don't laught, that's really true. Then, we compute the consequences of the guess to see what it would imply. Then, we compare those computation results to nature... If it disagrees with experiment, it's wrong. And that simple statement is the key to science. It doesn't make a difference how beautifull your guess is, It doesn't make a difference how smart you are, who made the guess or what his name is ... If it disagrees with experiment, it's wrong!".
4. Ad hoc rescues
Se o pesquisador se atém a sua tese após a refutação da evidência, não espere muito de suas previsões. Arthur Conan Doyle expressa o problema desse hábito via seu personagem mais famoso: "It is a capital mistake to theorize before one has data. Insensibly one begins to twist facts to suit theories, instead of theories to suit facts". Os esforços mais absurdos para preservação de hipóteses frágeis são o sinal de que há algo de errado com a área em específico, e provavelmente existem grandes interesses em manter tais "verdades" circulando. No fim das contas a ciência não foi desenhada para dar respostas, é uma ferramenta de investigação que visa levantar questões para única e exclusivamente, desafiá-las.
O maior exemplo atual de dogmatismo acadêmico está na ciência climática. O cientismo se manifesta em quase todas as suas formas nessa área do conhecimento, desde o apelo a autoridade, ao ad populum, ad hominem, e o ad hoc rescues (a arte de distorcer fatos para encaixa-los em teorias)... Essa poluição presente na academia atrasou décadas de avanço em pesquisa, e a raiz do problema bifurca entre o orgulho dos acadêmicos que defendem hipóteses frágeis por boas quantias de fundos e prêmios, e o tribalismo cujo Goldstein é uma única variável do clima dentre centenas, o CO2.
William Happer, professor emérito de Física em Princeton, traça um paralelo explorável em nosso texto "there was a period when everyone tought that heat was phlogiston. There was this magic subject, non existent, but everyone had to belive in phlogiston, and turns out it was nonsense, it wasnt there at all, but you couldn't get anyone to support you unless you belived in phlogiston... So i call this Phlogiston Era of Climate Science, where phlogiston is CO2". Não se apressem a interpretar a fala do Dr. Happer incorretamente, ele não quis dizer que o CO2 é um mito, mas que os esforços para a preservação de hipóteses falhas são semelhantes em ambos os episódios.

A fragilidade da hipótese se torna gritante quando Lavoisier introduz as medidas quantitativas em sistemas fechados. Lord Kelvin viria a constatar "All science is numbers", se você não consegue medir aquilo que está estudando, você não conhece nada sobre tal. Porém se a medição é possível, duas realidades contraditórias não poderão ocupar o mesmo espaço, sabendo disso os químicos da época agarraram o flogisto como se fossem um filho, distorcendo a própria realidade dos fatos para preservá-lo.
As medidas quantitativas deram a Lavoisier o espaço para questionar a existência do flogisto. O problema era simples: ao calcinar um metal, isto é, aquecê-lo, ele terminava o processo mais pesado do que começou. Ora, se o flogisto estava em tudo que queima, pronto para escapar durante a combustão, como poderia a sua saída acrescentar massa ao metal? Hoje sabemos que se trata de oxidação: ao aquecer, o metal combina-se com o oxigênio do ar e ganha massa. Mas a palavra "oxigênio" ainda não existia, e a pergunta que ficava no ar era incômoda: se aquecer libera o flogisto, o peso do metal não deveria diminuir?

Anterior a Morveau, Jean-Pierre Chardenon foi o primeiro a usar o argumento de leveza e levidade para a preservação da hipótese, e muitos outros pesquisadores da época apelaram para diversas justificativas que tentavam responder aos questionamentos de Lavoisier, por exemplo Cavendish, Macquer, entre outros. Insatisfeito com todas elas, Lavoisier expõe o dogmatismo do debate "Les chimistes ont fait du phlogistique un principe vague... tantôt ce principe est pesant et tantôt il ne l'est pas; tantôt il est le feu libre et tantôt il est le feu combiné avec l'élément terreux; **tantôt il perce à travers les pores des vaisseaux et tantôt ils sont impénétrables pour lui**... C'est un véritable Protée qui change de forme à chaque instant."
Tradução: "Os químicos fizeram do flogisto um princípio vago... ora esse princípio é pesado, ora não é; ora é o fogo livre, ora o fogo combinado com o elemento terroso; ora atravessa os poros dos vasos, ora estes lhe são impenetráveis... É um verdadeiro Proteu que muda de forma a cada instante."
5. Phlogiston Era of Climate Science
O paralelo traçado por Happer não faz referencia ao efeito estufa ou sua existência, visto que ele e Wijngaarden provam a existência do mesmo no paper Dependence of Earth’s Thermal Radiation on Five Most Abundant Greenhouse Gases, mas faz referencia a hipótese de que o clima e seus aspectos diversos são controlados primariamente pelo CO2. Após a ameaça de uma era glacial se dissolver em meados de 1970, o aquecimento global tomou conta dos temores públicos. Pesquisadores passaram duas décadas montando modelos climáticos que visavam prever o clima futuro, mesmo sem a base teórica para tal. Uma gama de modelos constatou um aquecimento de 3°C em 50 anos (nenhum deles previu catástrofes, é valido comentar), e a correlação entre o aumento de CO2 e o aumento das temperaturas registradas em superfície estavam quase perfeitamente ligadas, até que o século XXI entra em jogo.

Bo Kjellén (diplomata climático sueco, então no UEA) — 21/02/2004, 10:53, email 4141: "I think this is a real problem, and I agree with Nick that climate change might be a better labelling than global warming."
David Lea (UC Santa Barbara), citado em 4141.txt:103: "I think the notion of telling the public to prepare for both global warming and an ice age at the same creates a real public relations problem for us."
O inicio do milênio foi marcado com o Hiato do Aquecimento Global, um período em que o pico das temperaturas foi atingido em 1998, um recorde que só viria a ser alcançado novamente em 2016. Ainda foram duas décadas quentes, mas o nível de CO2 estava em ascensão exponencial, enquanto os registros de temperatura diminuíam levemente, 99% dos modelos computacionais erraram as previsões. Os e-mails acima foram vazados em 2009 por um hacker anônimo, e contém a troca de mensagens entre burocratas, acadêmicos e ativistas envolvidos com a faculdade de East Anglia e com o IPCC (International Panel on Climate Change). A gama de pessoas que promoviam um falso alarmismo perceberam que a hipótese aquecimentista não era perfeita, e ao invés de aderir a evidência para reformular a hipótese, a saída encontrada para a preservação do problema que lhe dão seus fundos, foi o ad hoc rescues, a troca do rótulo de forma deliberada (twist facts to suit theories). O CO2 além de aquecer, é responsável por todas as mudanças do clima, inclusive o próprio hiato de aquecimento.

E não apenas o hiato, o CO2 se tornou responsável por mudar o volume das chuvas, neve, ciclones, furacões e tempestades! Era a peça que faltava para prevermos tudo o que vai ocorrer com o Clima! Assim como o Flogisto, um coringa que explica todas as coisas, ao mesmo tempo não explica nada. Eis uma palavra de George Orwell, doublethinking (duplipensamento), o hábito de carregar dois conceitos antônimos como sinônimos: guerra é paz, liberdade é escravidão... calor é frio. Um fato inconveniente mas que foi atrelado também ao CO2 foi o aumento do volume de neve e nevascas no hemisfério norte, quando recordes que não eram batidos desde a década de 70 foram atingidos na década de 2000. Semelhante aos químicos questionados por Lavoisier, membros da CRU e IPCC declararam diversas vezes que a neve seria um mito para as novas gerações:
David Viner, cientista sênior do CRU (East Anglia) — The Independent, 20/03/2000, "Snowfalls are now just a thing of the past": "Children just aren't going to know what snow is." — ("As crianças simplesmente não vão saber o que é neve.").
Sir John Houghton — físico atmosférico, ex-presidente do grupo científico do IPCC (2007): "The idea that we will get less snow is absolutely in line with what we expect from global warming." ("A ideia de que teremos menos neve está absolutamente alinhada com o que esperamos do aquecimento global.").
Michael Oppenheimer (autor-líder do IPCC) — The New York Times, 2001: "I bought a sled in '96 for my daughter. It's been sitting in the stairwell and hasn't been used.", "sledding and snowball fights are as out-of-date as hoop-rolling.".
Agora notem o contraste entre as falas de membros dos mesmos grupos e semelhantes, após o início do século:
Katharine Hayhoe (climatologista, Texas Tech / cientista-chefe da The Nature Conservancy / IPCC AR6) Twitter, 26/12/2017: "Warmer temperatures are increasing the risk of lake-effect snow." ("Temperaturas mais quentes estão aumentando o risco de neve por efeito lacustre.")
Michael A. Rawlins (Diretor-associado do Climate System Research Center, UMass Amherst) — Scientific American, "Why a Warming Climate Can Bring Bigger Snowstorms": "Air holds about 4% more water vapor for each additional degree Fahrenheit increase in temperature (that's about 7% per degree Celsius)."
NOAA Climate.gov — "Are record snowstorms proof that global warming isn't happening?": "Warmer air temperatures fuel more evaporation, leading to a wetter atmosphere, which increases rain or snow totals... That wetter air is then brought into the storm system, producing large amounts of snow."

A justificativa para o aumento de neve foi a relação Clausius-Clapeyron, que dita a capacidade do ar de conter mais ou menos vapor d'água em função da temperatura. De forma contraditória, esse foi o principal argumento utilizado por alarmistas para justificar as previsões exageradas dos modelos climáticos. O CO2 sozinho não tem a capacidade de aumentar a temperatura do ar em mais de 3°C, nem mesmo se dobrarmos sua concentração, porém o vapor de água, a molécula estufa mais abundante e eficiente do planeta, tem essa capacidade. Ou seja, os modelos previram aquecimento maior devido ao aumento de vapor d'água via relação Clausius-Clapeyron.
NASA — Science.nasa.gov, "Steamy Relationships: How Atmospheric Water Vapor Amplifies Earth's Greenhouse Effect": "For every degree Celsius that Earth's atmospheric temperature rises, the amount of water vapor in the atmosphere can increase by about 7%.", "Increased water vapor in the atmosphere amplifies the warming caused by other greenhouse gases.", "This further warms the atmosphere, resulting in even more water vapor... This is what scientists call a 'positive feedback loop.'", "Scientists estimate this effect more than doubles the warming that would happen due to increasing carbon dioxide alone."
A relação físico-química utilizada para explicar cenários alarmistas de calor, agora se tornava a justificativa do aumento de frio. Essa contradição abre portas para questionarmos algumas frentes da hipótese CO2-Climática. As dúvidas que ficam são: 1. Se o aumento de vapor de água resulta em mais neve, por que os níveis de cobertura de neve eram maiores em 1975 quando a atmosfera provavelmente tinha menores concentrações de vapor d'água? 2. Se o aumento de vapor d'água resulta em um aumento de neve, por que não resulta num aumento da cobertura de nuvens, ou no aumento de precipitação? A cobertura de nuvens vem diminuindo significativamente desde 1979, e a precipitação global tem se mantido incrivelmente constante. 3. Se o aumento de temperatura do ar resulta em maior volume de neve, necessariamente não exige maior cobertura de nuvens, menos radiação solar atingindo a superfície, e balanços de massa positivos das geleiras?
Provavelmente esses questionamentos serão ignorados pois não corroboram com o dogma inquestionável, mas o fato é que o próprio NOAA publicou "which increases rain or snow totals", porém essas duas séries estão praticamente imutáveis em 50 anos. Para o cientismo isso não importa, pois mesmo que os dados mostrem uma série estável, o "NOAA" afirmou que neve e chuva vão aumentar, então devem estar certos... E se por acaso o volume de neve voltar a cair em 10 ou 20 anos, a culpa será também do CO2. Dentre essas e outras, podemos colecionar pilhas de comentários contraditórios pré e pós hiato, que visam preservar uma hipótese extremamente lucrativa.
Eu acredito que o hiato nos indica que dentro do sistema climático há forças que sobrepujam os efeitos radiativos das moléculas estufa, porém como isso vai contra a narrativa alarmista, fundos de pesquisa seriam escassos. Se o pesquisador precisa de investimento para estudar o tópico em questão, a roda gira da seguinte maneira: basta assumir que o CO2 é um problema, não há público leigo que possa discordar, então os leigos também o assumem como problema. Se é dito ao público que há um risco, a resolução do mesmo será passada as mãos dos representantes do povo, e estes, tão inúteis quanto os próprios leigos, delegam a solução aos acadêmicos. Assim surge a galinha dos ovos de ouro, um problema que jamais será resolvido, visto que uma vez que o resolvem, não há mais motivo para receber fundos, como ocorreu com o painel do Ozônio em Montreal, 1989.
A declaração do problema é só a ponta do iceberg, o pior é a solução proposta. Esse é o grande empecilho de politizar questões científicas, nem sempre há respostas para tais questões, mas os problemas políticos exigem respostas imediatas. Agora que políticas de "controle do clima" foram implementadas ao redor do mundo, o orgulho dos acadêmicos e burocratas entra em jogo. Tais decisões internacionais são extremamente prejudiciais para o homem ordinário, empobrecem a todos submetidos, principalmente a população mais vulnerável, e não resolve o problema, apenas o agrava. Semelhante aos médicos que rechaçaram Ignaz Semmelweis, isso não será admitido até consequências devastadoras forem reportadas.
Deixo essa reflexão para vocês.
Eis o sentido desse blog, O Método foi criado para discutirmos, questionarmos, e desafiarmos a uns aos outros. Como um adepto da liberdade de expressão, acredito que um tem todo o direito de ser dogmático nesse ambiente ou em qualquer outro, porém é necessário que este prepare-se para ser questionado, visto que a ciência foi feita dessa maneira, a partir de um processo orgânico e secular, e não será mais uma de diversas doutrinas impositoras que destruirá o Método Científico tal como ele é, e sempre será (por mais dogmático que isso pareça).
Bibliografia
[1]. Freeman Dyson — Heretical Thoughts About Science and Society. https://www.youtube.com/watch?v=8xFLjUt2leM
[2]. https://en.wikipedia.org/wiki/Freeman_Dyson
[3]. Orwell, George. Nineteen Eighty-Four (1984). Secker & Warburg, London, 1949.
[4]. Hippocrates. Nature of Man (Περὶ φύσιος ἀνθρώπου). In: Hippocrates, Volume IV, trad. W. H. S. Jones, Loeb Classical Library 150, Harvard University Press, Cambridge MA, 1931.
[5]. Galen. On the Natural Faculties (Περὶ φυσικῶν δυνάμεων), trad. A. J. Brock, Loeb Classical Library 71, Harvard University Press, Cambridge MA, 1916; e On Venesection Against Erasistratus.
[6]. Semmelweis, Ignaz. Die Ätiologie, der Begriff und die Prophylaxis des Kindbettfiebers (A Etiologia, o Conceito e a Profilaxia da Febre Puerperal). C. A. Hartleben, Pest, Wien und Leipzig, 1861.
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